quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Veneza & Monet

"Crepúsculo em Veneza", 1908, de Claude Monet

"O Palácio Contarini", 1908, de Claude Monet
"Da viagem de Monet a Veneza, em 1908, nascem outros sublimes tapetes de cor.
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Percorre as ruelas estreitas, circula de barco nos pequenos canais, impregna-se da atmosfera dos locais e medita. Nos museus e nas igrejas estuda as obras de Ticiano, de Giorgione e de Veroneso, os grandes coloristas venezianos, aos quais o comparam muitas vezes. O ambiente tão particular da cidade parece-lhe intraduzível. E depois, pouco a pouco, eis que se instala, com uma paleta e um cavalete, à beira do Grande Canal e em frente do Palácio dos Doges. Pinta como um louco, seguindo um horário rígido: levanta-se às seis da manhã, está duas horas diante de cada tema; só se detém à noite, ao pôr do sol.
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Disse-se das telas venezianas que eram «maravilhas radiantes de cor» e, de facto, as vistas de San Giorgio Maggiore ou do Palácio Contarini parecerem nascidas de um conto romântico ou de um poema simbolista.
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As telas de Veneza, estas maravilhas radiantes de luz são composições de véus azuis e nacarados, de vapor e de reflexos. São mais o produto da recordação, de uma visão do que uma experiência visual perante o motivo.
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... o impressionista transformou-se num simbolista que celebra as núpcias místicas da bruma e da arquitectura, da matéria e da atmosfera, da pedra e da luz."

Christoph Heinrich in "Monet"

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