quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Veneza & Monet

"Crepúsculo em Veneza", 1908, de Claude Monet

"O Palácio Contarini", 1908, de Claude Monet
"Da viagem de Monet a Veneza, em 1908, nascem outros sublimes tapetes de cor.
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Percorre as ruelas estreitas, circula de barco nos pequenos canais, impregna-se da atmosfera dos locais e medita. Nos museus e nas igrejas estuda as obras de Ticiano, de Giorgione e de Veroneso, os grandes coloristas venezianos, aos quais o comparam muitas vezes. O ambiente tão particular da cidade parece-lhe intraduzível. E depois, pouco a pouco, eis que se instala, com uma paleta e um cavalete, à beira do Grande Canal e em frente do Palácio dos Doges. Pinta como um louco, seguindo um horário rígido: levanta-se às seis da manhã, está duas horas diante de cada tema; só se detém à noite, ao pôr do sol.
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Disse-se das telas venezianas que eram «maravilhas radiantes de cor» e, de facto, as vistas de San Giorgio Maggiore ou do Palácio Contarini parecerem nascidas de um conto romântico ou de um poema simbolista.
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As telas de Veneza, estas maravilhas radiantes de luz são composições de véus azuis e nacarados, de vapor e de reflexos. São mais o produto da recordação, de uma visão do que uma experiência visual perante o motivo.
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... o impressionista transformou-se num simbolista que celebra as núpcias místicas da bruma e da arquitectura, da matéria e da atmosfera, da pedra e da luz."

Christoph Heinrich in "Monet"

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Campo de Papoilas

"Campo de Papoilas, Perto de Argenteuil", 1873, de Claude Monet
«Como verdadeiro parisiense, ele transporta Paris para o campo», dizia Emile Zola do jovem Monet. «Ele não consegue pintar uma paisagem sem incluir nela damas e cavalheiros em grandes trajes. Poder-se-ia dizer que a natureza só lhe interessa se ela trouxer consigo a marca dos nossos costumes». Mas, com o tempo, as personagens desaparecem das paisagens de Monet e os traços de civilização cedem o lugar ao sentimento da natureza."

Christoph Heinrich in "Monet"

domingo, 4 de setembro de 2011

As pontes de Argenteuil


"A Ponte do Caminho-de-Ferro em Argenteuil", 1873, de Claude Monet
 

"Monet a Pintar no seu Jardim de Argenteuil", 1873, de Pierre-Auguste Renoir

"No Outono de 1871, terminada a guerra franco-alemã, Monet deixa Londres e instala-se em Argenteuil.
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Argenteuil, tal como Bougival e Asnières, é um dos locais de destino eleitos pelos Parisienses para passeio. As suas regatas elegantes, as suas tabernas e as suas estâncias balneares, mas também os seus campos de papoilas selvagens e os seus barcos que se balançam docemente ao sol são temas para os pintores e fazem de Argenteuil um lugar de preferência dos impressionistas.
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As paisagens de Argenteuil não nos mostram nem a natureza selvagem nem a doçura arcadiana, elas estão cheias de sol, de alegria, de paz e de harmonia, mas também têm em consideração o presente. São civilizadas."

Christoph Heinrich in "Monet"

Arte Organizada








Interessante e curiosa a forma como o artista suíço Ursus Wehrli "decompõe" pinturas nos seus componentes essenciais, organizando-os por cor e tamanho !