sábado, 20 de fevereiro de 2010

Polaroid Composites









Simplesmente espectaculares estes Polaroid Composites de Patrick Winfield !
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"A Cidade"

Luis Miguel Cintra pegou em vários textos de Aristófanes e construiu "A Cidade", um espectáculo que através de um palco simples, despido de mais adereços e cenários que não a alusão a uma traça arquitectónica, fez-me regressar à Grécia Antiga.

O encontro revelou-se inesperado. Juntar em palco actores mais ligados ao humor, como aqueles que deram corpo e manifesto aos televisivos "Os Contemporâneos", e actores conotados com um teatro dito ou tido como "sério", como o são aqueles que "residem" no Teatro da Cornucópia, não é propriamente aquilo que o público esperaria ver.

E foi assim que, num misto de erudição e humor, crítica e comédia, deparei-me com as mais diversas personagens: o velho que se queixava de saudades do campo, o camponês que vendeu as próprias filhas, as mulheres que se fizeram passar por homens para conseguirem conquistar o governo da cidade, o Raciocínio Justo a discutir com o Raciocínio Injusto, Sócrates, Eurípedes ou ainda Pluto, o deus do dinheiro, que ali não foi mais do que um cego com óculos escuros.

O mais curioso é que apesar deste desfile de personagens essencialmente ridículas, foi possível perceber que há 2500 anos as perplexidades, dúvidas e vícios que corroíam os cidadãos são exactamente os mesmos de hoje, em pleno Séc. XXI: o desinteresse das pessoas pela vida pública, a ganância e a corrupção como modus vivendis da classe política, o desejo cego pelo poder e o apelo do dinheiro, a educação dos jovens, o confronto nas relações homem-mulher, sobretudo no que toca às suas responsabilidades sociais.

Enfim, ao longo de quase quatro horas diverti-me imenso com situações hilariantes e disparatadas, convívio entre deuses gregos e jovens irreverentes de mp3 nos ouvidos ou ainda personagens como Eurípedes e salsicheiros que falavam em calão.

Também simplesmente memorável, diga-se de passagem, uma cena musical onde as mulheres cantaram à janela como nos filmes "Pátio das Cantigas" e "O Costa do Castelo", numa clara piscadela de olho a Lisboa e às suas marchas e fados.


Enfim, uma verdadeira festa no plano das interpretações, com destaque, parece-me mais do que justo, para um notável Nuno Lopes ... foi só rir, só rir ! ;)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ser feliz

“ Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho ?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo …”

Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Memórias de Areia"

Foi com alguma expectativa e espírito curioso que desloquei-me no dia 06 de Fevereiro até ao Museu do Oriente de forma a assistir ao espectáculo "Memórias de Areia" !
"Memórias de Areia" ... elogio do silêncio, sob a forma de Dança Butoh.
Apesar de nunca ter presenciado uma actuação, já tinha ouvido falar deste género de arte radical e simplesmente adorei.
Interpretada por Maria Reis Lima e acompanhada por Sofia Cascalho no cravo e Dorothea Derlath-Meindl na flauta, encantei-me com esta espécie de Poesia do Corpo, em forma de Haiku. Uma expressão corporal reduzida ao mínimo. Pude vislumbrar na Arte Butoh um sopro de Zen como na poesia Haiku e uma expressão muito serena como na Ikebana, quando o artista transporta o seu interior para o exterior.
Gostei imenso da Parte II-Sanuki, nomeadamente a cena dominada pela areia e búzios. Senti como se uma fonte de energia nascesse de um Sol interior.
Uma experiência única !