sábado, 2 de maio de 2009

No Medeia Nimas a ver ...

Singularidades de uma Rapariga Loura
Eccentricities Of A Blond Hair Girl
Manoel de Oliveira

Ficção, França, Portugal , 2009, 63'
Argumento: Manoel de Oliveira
Fotografia: Sabine Lancelin
Som: Henri Maikoff
Montagem: Catherine Krassovsky
Com: Catarina Wallenstein, Diogo Dória, Filipe Vargas, Glória de Matos, Julia Buisel, Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra, Miguel Guilherme, Ricardo Trêpa, Rogério Samora
Produtor: François d’Artemare, Luís Miñarro, Maria João Mayer
Produção: Eddie Saeta SA, Filmes do Tejo, Les Films de l’Après-Midi

O mais recente filme de Manoel de Oliveira adapta de forma brilhante um conhecido conto de Eça de Queirós: "Singularidades de uma Rapariga Loura".
Nesta história de amor e desavenças, Macário é um contabilista que se apaixona perdidamente por Luísa Vilaça, a rapariga loura do leque chinês que costuma observar no quarto a partir da janela do seu escritório. Consegue conquistá-la e tornar-se seu noivo, contra todas as adversidades, entre as quais a firme oposição do tio, que o expulsa mesmo de casa por causa disso. Contudo, um dia quando estavam numa ouriversaria, Luísa rouba um anel de diamantes e Macário, como homem de princípios sólidos, não hesita em chamá-la de ladra e romper definitivamente com a relação. À semelhança do que acontece no conto, a história é contada conforme Macário se lastima da sua desgraça a um passageiro com o qual se cruza no comboio.
Além de constituir uma sátira à sociedade burguesa da época, este filme também é um retrato sobre a intolerância. Intolerância para com uma singularidade, um segredo profundo e difícil de explicar de uma loura de olhos azuis. Um segredo que a transcende e que o Homem não compreenderá.
O minimalismo dos cenários, a redução dos espaços de acção e a curta duração do filme ( 64 minutos ) fazem com que nos concentremos apenas na sua essência.
Pessoalmente, uma das cenas que adorei, relaciona-se com o sarau musical e literário saído do Séc XIX. Neste fascinante painel romanesco encantei-me não só com o belíssimo som da harpa de Ana Paula Miranda a tocar o 1º arabesco de Claude Debussy, como também com a incomparável declamação por parte de Luís Miguel Cintra de "O Guardador de Rebanhos" de Fernando Pessoa, mais concretamente do seu heterónimo Alberto Caeiro.
Um filme a não perder ... ;)

Vejam aqui o trailer !

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