quinta-feira, 22 de maio de 2008

Moscovo em miniatura






Obcecados pela propaganda, os dirigentes do antigo regime soviético promoveram acções que actualmente seriam consideradas megalómanas e insensatas. Uma destas acções foi a construção de um imenso modelo da cidade de Moscovo destinado a ser visitado e admirado pelo povo que, deste modo, se deslumbraria perante a magnificência da capital do império soviético, maior e mais bela do que qualquer capital do Ocidente. A obra foi encomendada em 1976, época em que o regime já se encontrava na sua agonia final. O canto do cisne de uma época.

Para reproduzir uma cidade imensa foi necessário realizar um trabalho de modelização imenso. Foi encarregado dessa tarefa o artista russo Efim Deshalyt, que a deu por concluída um ano depois, em 1977, data em que foi aberta ao público. A maqueta estende-se por uma superfície de 37 000 m2 e foi realizada com uma minúcia extraordinária que retrata o mais ínfimo pormenor. Porém, a característica mais espectacular é o sistema de iluminação que permite que o realismo seja mantido vinte e quatro horas por dia, simulando as variações da luz do sol e as luzes nocturnas.
Atrás de cada janela há uma pequena lâmpada que se acende quando chega a noite, dando a ilusão de uma cidade com imensa vida nocturna. Até os barcos no rio têm luzes no seu interior! Este efeito espectacular é o verdadeiro óbice do modelo: foram necessárias milhares de lâmpadas para criar os efeitos de iluminação desejados, o que resultou num consumo eléctrico desmesurado. Esta foi a principal razão para o encerramento ao público após a queda do regime, numa Rússia a braços com enormes problemas financeiros.
Actualmente esta miniatura fabulosa está alojada no edifício municipal da cidade e é visitada quase exclusivamente por turistas. Mesmo assim continua a dar prejuízo e há até quem pense em destrui-la. Por esse motivo foi colocada à venda por três milhões de dólares.

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